4 de fevereiro de 2009

Primeiro conto de um amigo meu. achei legal! rsrs

PORN FOR CULT
“Olha o muquifo que fui me enfiar” disse ao meu colega de estágio. Saímos da Delegacia para fumar, quando então chegou Buk com mais três vagabundos que havia recolhido na antiga rodoviária. “Vamos lá, seus almofadinhas, estão pensando que aqui é o Iate Clube? Estou colocando esses aqui na jaula, deixem a porra da papelada pronta que não quero ter problemas com o Sócrates”, nos disse. Buk era um policial de poucos escrúpulos, mas de muita lealdade com os seus, o melhor tipo de amigo que se pode ter, estava tendo problemas com o novo Delegado, Sócrates, sujeito vindo da capital, metido a honesto, um tanto quanto moralista, mas que come três fora a esposa.Hoje é dia do Buk passar nos puteiros recolher a taxa por fazer “vista-grossa”. Pediu que eu o acompanhasse. Como de costume, não hesitei. A gente sempre gasta um tempinho em cada casa, é o tipo de ambiente que gosto, onde estão reunidos todos os velhos ratos da cidade. Enfim, paramos na Pretty Woman, oitenta por cento dos clientes são advogados, metade do corpo docente do meu curso costuma freqüentar ali, sorte minha, senão já estaria reprovado por faltas. Entramos. Cumprimentei Alice, estudante de Psicologia, tesão de garota, faz uns extras aqui para sustentar o vício. “Hoje está meio fraco o movimento, saio cedo, está a fim de dar uma voltinha pela cidade? Quero ver como está enfeitada para o Natal”, ela disse.“Vou passar em mais outras duas casas com meu colega, que horas quer que eu te busque?”. “Às 2h30, está bom?”. “Ótimo, trouxe blusa? Vai estar frio essa hora”. “Não!”. “Trago uma para você”. “Ai, você é um amor, Charles”. “Até depois”.“Até”.Feita a peregrinação e com o bolso cheio, Buk me deixou em casa. Enchi rapidamente meu cantil com whisky. Peguei o carro na garagem e fui ao encontro de Alice. Ela já estava a minha espera. Entrou no carro. Pediu minha carteira emprestada. Entreguei-a, em cima dela Alice preparou uma carreira e cheirou como se houvesse nascido e crescido exatamente para fazer aquilo. Silêncio. Alguns minutos depois, já chegando ao centro, ela volta a falar:“Esse putos enfeitaram bem a cidade esse ano. Essa época me faz lembrar muito da minha infância e de que eu e minha mãe passávamos o Natal com a sua família”. Eu e Alice somos amigos desde a infância, éramos vizinhos, o pai dela se suicidou antes que nascesse, vivia somente com a mãe, uma senhora muito religiosa, a qual a filha é tudo na vida, não tinham nenhum parente na cidade, a família do pai os abandonou após o suicídio, possivelmente devem atribuir a culpa à mãe de Alice.“Também me lembro, as coisas pareciam mais fáceis naquela época” comento. “Alice, provavelmente na segunda-feira já terão depositado o dinheiro referente à entrada da venda do filme”.“Ótimo! Não agüento mais fingir orgasmos para esses velhos sebentos e chupar seus paus enrugados”.“Não se preocupe, em breve você estará fora dessa”.Demos mais algumas voltas, durante meia-hora, deixei-a em casa, se despediu de mim com um beijo na testa, assim como faz uma irmã que há muito tempo não vê o irmão. Era sexta-feira, passei o final de semana trancado no meu apartamento com seis garrafas de vinho e um Dostoievski. Amanheci segunda com a garganta seca, me vesti rapidamente, passei na padaria comprei uma coca-cola, tomei num gole só. Cheguei na delega, cocei o saco normalmente até o meio-dia, Buk tinha um assunto para tratar comigo, então me convidou para almoçar num boteco próximo (comida péssima, me dá diarréia só de pensar). Fomos para lá.“Charleco, a revista americana já te depositou a grana?”, me pergunta entre uma bocada e outra no frango que segura nas mãos.“É pra ser, depois do expediente passo no banco dar uma olhada”.“Tranqüilo, não vai me deixar pra trás, fiz minha parte e você sabe, o combinado não é caro”.“Sem terror, o teu tá garantido, assim como o da Alice”.“Sabe, foi uma boa sacada produzir um filme pornô para pessoas cultas, esse pessoal se entedia com tudo que não está no mesmo nível intelectual que eles, acho que devem ter se excitado mais com as discussões filosóficas e literárias do filme, do que com aquela loira de quatro”“Só”.“Bom, então estamos certos, se estiver tudo ok, leva pra mim a grana amanhã cedo, estão pra cortar a luz de casa e a patroa não sai do meu pé. Além do mais, preciso fazer um agrado, senão não trepo, sabe como é”, já palitando os dentes e grunhindo feito um porco.Não agüentava mais esse cara no meu ouvido, essa gente que nunca viu dinheiro na vida é foda, acabam morrendo e matando os outros com sua ansiedade, verdadeiros pés-no-saco. De tarde não fui trabalhar, fui pra casa, acessei a conta pela internet, estava lá, já tinham TRANSFERIDO A GRANA. Embriaguei-me. No outro dia passei no banco, saquei metade da parte do Buk, entreguei pra ele num envelope e disse que entregava o restante outro dia durante a semana. Ao escurecer me encontrei com Alice. Pedi-a em casamento. Ela recusou. Pediu-me o dinheiro. A matei. Encostei a arma na barriga dela e disparei, deixei-a agonizando. Liguei para o Buk. Nem 15 minutos já havia chegado. Ajudou-me a não deixar vestígios (não disse que ele era muito leal?). Tirei do dinheiro que ia dar pra Alice a metade restante de Buk. Não trabalho mais na delegacia. Com o dinheiro que economizei de Alice estou produzindo um filme experimental sobre mendigos relatando suas histórias de vida (ou de morte?!) e no final eles se masturbam, representando da melhor forma o “do it yourself”. E o Sócrates?? Ahhh, agora ele só come duas fora a esposa.


por: Maycon Zanin!

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